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Sporting deixa fugir vitória impossível e sofre empate dramático nos descontos frente ao Tondela

Leões passaram do controlo total ao colapso em minutos finais, desperdiçando vantagem de dois golos após defesa de penálti de Rui Silva e complicando ainda mais a luta pelo segundo lugar

Inacreditável. Golpe de teatro em Alvalade com o Sporting a ir do céu ao inferno no período de descontos. Depois de uma hora com um futebol muito fraco, praticamente sem oportunidades, os leões melhoraram a olhos vistos depois da entrada de Trincão, marcaram dois golos e parecia que tinham a vitória no bolso, mas deitaram tudo a perder nos instantes finais do jogo, concedendo dois golos depois de Rui Silva defender um penálti. Se o segundo lugar já estava difícil, agora, a dois pontos do Benfica, está ainda mais complicado e só um descalabro dos rivais vai permitir aos leões voltarem a ouvir o hino da Liga dos Campeões na próxima época

Relatório dos jogadores:

«Eles querem, mas o corpo não responde da mesma forma». A frase de Rui Borges, na antevisão do jogo, aplica-se na perfeição ao que assistimos a esta noite, mas é preciso acrescentar também uma grande falta de motivação que foi perceptível desde o relvado até às bancadas [uma das assistências mais baixas da temporada]. O Sporting soma o cinco jogos consecutivos sem vencer, perde sete pontos nos últimos três, está fora da luta pelo título e pode ter comprometido defitivamente objetivo do segundo lugar.

Rui Borges voltou a revolucionar o onze, em comparação com as apostas para a Vila das Aves, recuperando alguns dos habituais titulares, mas deixando Francisco Trincão, o jogador mais utilizado, a descansar no banco, para atribuir as funções de «maestro» a Pedro Gonçalves, ficando Geny Catamo e Geovany Quenda encarregues de explorar as alas.

Do lado contrário, Gonçalo Feio também promoveu seis alterações, poupando alguns dos habituais titulares, certamente a pensar no próximo duelo com o Casa Pia, que pode ser determinante nas contas dos beirões para poder continuar no primeiro escalão. A verdade é que o Tondela, a defender com uma linha de seis, colocou muitos problemas em Alvalade.

Tal como tinha acontecido na Vila das Aves, o Sporting voltou a desperdiçar os primeiros 45 minutos, com um futebol lento e muito previsível que foi deixando o Tondela cada vez mais confortável no jogo. Os beirões pressionavam apenas com três ou quatro jogadores no meio-campo contrário, sem nunca desmontar a linha defensiva alargada a seis elementos.

O jogo até começou com um remate cruzado de Quenda a rasar o poste, mas depois a equipa deixou-se cair num marasmo, insistindo em atacar pelo corredor central, muito povoado, quando os corredores pareciam o melhor caminho para a baliza de Bernardo Fontes. A verdade é que tanto Quenda como Geny Catamo sentiram muitas dificuldades para entrar no jogo.

O Tondela susteve as primeiras investidas dos leões e foi ganhando confiança para ensaiar algumas transições, deixando os leões ainda mais nervosos, com muitas perdas de bola e passes sem sentido. O intervalo chegou a voar, apenas com mais um remate, inofensivo, de Luis Suárez. «Intolerável, exigimos mais», leu-se numa tarja exibida por uma das claques, bem apropriada ao momento, já perto do intervalo.

Também é verdade que o Tondela praticamente não incomodou Rui Silva [um remate contra sete do Sporting], mas o que fica desta primeira parte foi, além da falta de capacidade física, uma evidente falta de motivação, não só no relvado, mas também das bancadas, muito despidas esta noite e também com os adeptos desligados de uma equipa que também não deu quaisquer motivos para entusiasmo.

Trincão ainda trouxe esperança

A segunda parte não trouxe nada de novo, o mesmo onze, o mesmo marasmo e os dois primeiros remates até foram de Rony Lopes. Quenda continuava a perder muitas bolas na esquerda e, no lado contrário, Geny Catamo estava em noite de completo desacerto.

A complicar o desempenho do Sporting, o Tondela estava agora ainda mais recuado. Enquanto na primeira parte defendeu com um 6x3x1, agora defendia em 6×4, deixando os leões com um mar de pernas para chegar à baliza de Bernardo Fontes.

O Sporting precisava de um abanão e este chegou do banco, quando Rui Borges chamou Trincão e Salvador Blopa. De repetente tudo encaixou. Trincão entrou para o corredor central, Pote foi para a esquerda, permitindo a Maxi entrar no jogo, enquanto Salvador Blopa deu nova vida ao corredor direito, deixando claro que Vagiannidis tinha sido, mais uma vez, um erro de casting.

Logo no momento que se seguiu as substituições, Geny Catamo apareceu destacado na área e, com Bernardo Fontes desenquadrado, atirou incrivelmente por cima. Foi apenas um primeiro sinal. Seguiu-se um segundo e um terceiro, até que Luis Suárez, ao minuto 62, desbloqueou finalmente o marcador, com um desvio de primeira a um cruzamento de Blopa. O colombiano quebrou um jejum que já durava há mais de um mês e as bancadas acordaram para o jogo.

O jogo era agora ainda mais de sentido único, uma vez que o Tondela, montado para defender, não conseguia sair da teia que os homens de Borges montaram. A última meia-hora [até ao minuto 90], com Trincão, em campo, foi definitivamente o melhor período dos leões que acabaram por chegar a um segundo golo, com Trincão [faz tanta falta], a abrir na direita para Geny Catamo cruzar para o infeliz desvio de João Silva para as próprias redes.

Parecia que estava feito, bastava controlar, mas o Sporting voltou a cair, desta vez, com grande estrondo. Antes do descalabro, ainda houve tempo para as bancadas se levantarem para aplaudirem mais um regresso de Nuno Santos e parecia que era mesmo o ponto final em Alvalade.

No entanto, tudo ruiu em três lances. Primeiro Kochorashvili faz sobre Hugo Félix na área, o terceiro penálti concedido em outros tantos jogos, mas, desta vez, Rui Silva defendeu. Alvalade ainda estava a aplaudir a defesa do guarda-redes quando o Tondela marcou, na sequência do pontapé de canto, com Blopa a desviar com o ombro para a própria baliza.

Ainda faltavam dois minutos e o leão tremeu que nem varas verdes. Tremeu, tremeu, tremeu, até ao empate do Tondela, em mais um canto, numa cabeçada desconcertante de Cícero. Estava feito o empate e o jogo acaba logo a seguir para desespero das bancadas.

O Sporting despede-se da luta pelo título e compromete ainda mais a luta pelo segundo lugar, ficando agora a dois pontos do Benfica, enquanto o Tondela arranca um ponto que pode ser determinante nas contas pela manutenção.

A crise em Alvalade segue dentro de momentos.

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