Ninguém Passa! O Incrível Recorde Internacional que Transforma Farioli em um Fenômeno Europeu
Mudar de país e manter o gol trancado? Para Farioli, isso virou rotina nas últimas três temporadas.

O ano de estreia de Francesco Farioli no FC Porto confirmou uma tendência particular na carreira do jovem treinador italiano, de 37 anos. Por onde tem passado, tem erguido muralhas à frente da sua baliza, no sentido figurado claro, o que lhe permitiu terminar as últimas três temporadas [as únicas em que orientou uma equipa da primeira à última jornada] com o melhor registo defensivo nos respetivos campeonatos.
A sequência iniciou-se em 2023/2024, ao serviço do Nice, que foi a defesa menos batida da Ligue 1 com 29 golos sofridos. Seguiram-se o Ajax, nos Países Baixos, com 32, e o FC Porto, que rebentou com esta escala ao sofrer apenas 18 golos, em 34 jogos.
A época 2025/2026 foi uma espécie de maturação do método Farioli. Foi nela que uma equipa sua teve mais jogos sem sofrer golos [21, contra os 17 do Nice e os 16 do Ajax], em que o seu guarda-redes fez menos defesas por jogo [1,9, contra os 2,3 no Nice e os 2,5 no Ajax] e em que os erros cometidos resultaram em menos golos sofridos, apenas um [que compara com os quatro no Nice e no Ajax].
O FC Porto foi também, de entre os quatro primeiros classificados da Liga, a equipa que mais faltas cometeu por jogo [13,9], reflexo da forma intensa como reagia à perda da bola. O Sporting ficou-se pelas 12,2, o Sp. Braga pelas 11,8 e o Benfica foi mesmo a equipa menos faltosa do campeonato, com uma média de 11,1 infrações por jogo.
Ataque ainda com margem para crescer
Se lhe passou pela cabeça gritar Catenaccio para definir o FC Porto campeão de Farioli [até pelas raízes do treinador], talvez seja melhor controlar esse ímpeto.
Mais do que defensiva, a equipa portista foi dominadora em campo, passando até, com naturalidade, grande do tempo no meio-campo adversário a tentar desmontar as defesas adversárias.
Ainda assim, ficou atrás dos rivais em várias das métricas ofensivas, como nos golos marcados [66, contra os 89 do Sporting e os 74 do Benfica], nas grandes oportunidades criadas [97, novamente atrás de Sporting (121) e Benfica (111)], nos remates por jogo [14,5, contra os 17,6 do Sporting e os 17 do Benfica] e nos “tiros” enquadrados com a baliza contrária [5,3 por jogo, atrás de Sporting (6,8) e Benfica (6)].
Os dragões foram ainda a quarta equipa com a média mais elevada de posse de bola por jogo [55 por cento], estatística que é liderada pelo Sp. Braga [62,9 por cento], seguido do Sporting [61,9 por cento] e do Benfica [57,8 por cento].
E como compara este FC Porto com os projetos anteriores de Farioli? Bem, o que demonstra que o treinador italiano tem procurado fazer as suas equipas crescer no momento de organização ofensiva.
Os números alcançados pelo Ajax em 2024/2025 estão em linha com os dos portistas, esta época, e são ambos bem melhores do que os conseguidos pelo Nice, há duas temporadas.
Sendo certo que, dos três clubes, o Nice é o único que não é candidato ao título no seu país, os registos ofensivos que apresentou na Liga francesa em 2023/2024 foram bem modestos. Os 40 golos que marcou chegaram para ser apenas 12.ª melhor marca do campeonato, atrás até da do despromovido Lorient [43].
Há ainda um aspeto curioso: as equipas de Farioli têm tido uma atração forte pelos postes. Esta época, o FC Porto atirou aos ferros por 19 vezes na Liga [só o Tondela o fez por mais vezes (20)], menos uma do que o Ajax na Eredivisie, em 2024/2025. Um ano antes, já o Nice tinha acertado por nove vezes nos postes, na Ligue 1.
Que conclusão se pode tirar do raio-x feito às últimas três equipas de Francesco Farioli? Que são equilibradas, rigorosas, intensas e de um compromisso a toda a prova.
No FC Porto, o técnico também confirmou a máxima que sustenta que os ataques vencem jogos, mas as defesas ganham campeonatos. À terceira foi de vez para o italiano, que acabou eleito o melhor treinador do ano do campeonato português.






