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Jorge Jesus transforma a Seleção: o que mudou em quatro jogos

Paulo Mendes analisa, ponto a ponto, a evolução de Portugal na Liga das Nações

Portugal venceu os quatro primeiros jogos da Liga das Nações com Jorge Jesus no comando, numa entrada 100% vitoriosa ao serviço da Seleção Nacional. Paulo Mendes, treinador que já orientou o Cinfães, o AD Marco 09, o Arouca e o Lusitânia Lourosa e que comenta na Tribuna VIP do Bola na Rede, fez uma análise tática a cada um dos encontros para identificar o que melhorou com o novo técnico. No primeiro jogo, diante do País de Gales, a equipa apresentou uma estrutura que podia ser lida como 4-1-3-2 ou 4-4-2, com Cristiano Ronaldo e João Félix juntos na frente. O triunfo por 1–0 nasceu precisamente do corredor esquerdo, onde Nuno Mendes ganhava largura. Ainda assim, a equipa mostrou fragilidades quando perdia a bola e acabou por sofrer mais do que seria desejável na segunda parte.

A segunda partida, frente à Noruega, marcou a primeira grande mudança do selecionador. Cristiano Ronaldo começou no banco e Gonçalo Ramos assumiu a posição de avançado, com Félix atrás dele e extremos rápidos nas alas. Para Paulo Mendes, esta solução deu profundidade à equipa, porque Ramos ataca constantemente as costas da defesa e obriga os centrais adversários a decidir se o acompanham ou se sobem para controlar Félix. A vitória por 2–1 teve um momento decisivo no lance em que Félix aproveitou um erro do guarda-redes Nyland. Contudo, depois de passar à frente, Portugal recuou demasiado e a Noruega empurrou a equipa para a própria área, o que levou Diogo Costa a intervir várias vezes até ao empate de Haaland, marcado após uma bola parada.

Gonçalo Ramos, Félix e a nova identidade ofensiva

No terceiro encontro, frente à Dinamarca, Portugal jogou sem Cristiano Ronaldo, com Ramos na frente, Bruno Fernandes atrás dele, Rafael Leão à esquerda e Pedro Neto à direita. Paulo Mendes considera este o melhor jogo ofensivo dos quatro, sobretudo pela forma como os laterais se envolveram no ataque. João Cancelo funcionou como um médio-ala, a combinar por dentro e a chegar à área, e o segundo golo ilustra bem o conceito, com Ramos a baixar, a receber de Bruno Fernandes e a atacar de imediato o espaço nas costas da defesa. O analista alerta, porém, para o principal risco estrutural: a transição defensiva. A Dinamarca marcou após recuperar a bola de uma bola parada ofensiva portuguesa e atacar rapidamente o espaço deixado pela equipa, o que, na sua leitura, exige que os médios e os centrais travem o contra-ataque de imediato.

No Dragão, diante da Noruega, Portugal apresentou a versão mais madura da equipa. Vitinha assumiu o papel de organizador e a equipa alternou entre o corredor direito, onde Francisco Conceição e Cancelo criaram muitos problemas, e a circulação interior, mudando de corredor sempre que o adversário fechava o flanco. A Noruega inaugurou o marcador por Ajer, mas Cancelo empatou de imediato e Gonçalo Ramos fez o 2–1 aos 79 minutos, garantindo a quarta vitória e o apuramento.

O padrão tático e o papel dos protagonistas

Paulo Mendes resume o sistema nominal como 4-2-3-1 ou 4-4-2, mas considera que, com bola, a equipa se aproxima mais de um 2-3-5 ou de um 3-2-5, dependendo da posição de Cancelo, Nuno Mendes e do médio mais defensivo. Neste modelo, Vitinha surge como a peça central, não tanto pelos golos ou assistências, mas pela capacidade de determinar onde a equipa joga e de mudar o centro do jogo. Os laterais também têm funções complementares, já que Nuno Mendes oferece profundidade e aceleração, enquanto Cancelo traz associação e criatividade por dentro. Ramos, por sua vez, é apontado como a conclusão mais importante destes quatro jogos, não por ser individualmente superior a Cristiano Ronaldo, mas por encaixar melhor no que Jesus pretende construir. Félix, que marcou três golos nestes quatro encontros, tal como Ramos, é outro dos grandes beneficiados, já que joga entre linhas, perto da zona onde é mais perigoso.

Apesar do balanço positivo, Paulo Mendes identifica um problema que considera o mais sério: a defesa da perda de bola. Portugal ataca com muitos jogadores e, quando perde a posse, fica exposto, algo que se tornou evidente diante da Dinamarca. Frente a seleções de elite como França, Espanha, Inglaterra ou Alemanha, esta vulnerabilidade pode revelar-se decisiva, pelo que Jesus terá de melhorar a organização dos jogadores que ficam atrás da bola durante os momentos ofensivos. Na conclusão, o analista considera que a equipa evoluiu de forma clara, passando de uma posse de bola sem objetivos concretos para uma ideia de jogo que procura criar situações de finalização, com mais profundidade, mais jogadores na área e uma tentativa rápida de recuperação. O grande teste, sublinha, será manter esta agressividade ofensiva e, ao mesmo tempo, construir uma boa proteção da perda, condição que pode tornar Portugal numa equipa muito difícil de controlar.

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