As origens e o percurso de Marco Silva até chegar ao comando técnico do Benfica
De jogador no Cova da Piedade a treinador das águias: uma carreira construída sobre a máxima de deixar sempre os clubes por onde passa em melhor situação

Marco Silva chegou ao Benfica como sucessor de José Mourinho, mas o caminho até à Luz começou muito antes, ainda como jogador nos escalões jovens do Cova da Piedade e, mais tarde, no Belenenses. Foi já depois de terminar a carreira como futebolista que o técnico de 48 anos abraçou a função de diretor desportivo e, a partir de 2011/12, o cargo de treinador principal, tendo assumido o comando do Estoril Praia numa altura em que a equipa lutava para sair da Segunda Liga.
O trabalho na Amoreira revelou-se determinante para a construção da imagem de Marco Silva como treinador capaz de elevar o nível dos clubes por onde passa. Ainda no escalão secundário, conquistou o título da Segunda Liga com vantagem confortável sobre a concorrência, e, já no principal escalão do futebol português, orientou o Estoril a duas participações europeias em épocas seguidas, incluindo um histórico quinto lugar em 2012/13. Este percurso valeu-lhe a alcunha de “Special One da Amoreira” junto dos adeptos e despertou o interesse de clubes de maior dimensão, entre eles o Sporting, que o contratou em 2014 para suceder a Leonardo Jardim.
A experiência nos leões, ainda que marcada por uma relação conturbada com a então direção do clube, não travou a progressão de Marco Silva, que rumou pouco depois à Grécia para orientar o Olympiacos, conquistando o campeonato local com autoridade. Seguiu-se uma nova etapa em Inglaterra, país onde construiu grande parte da reputação que o levaria, anos mais tarde, a um clube como o Benfica.
Consolidação em Inglaterra antes do Benfica
Em Inglaterra, Marco Silva passou por Hull City e Everton antes de se fixar no Fulham, clube que orientou nas últimas cinco temporadas e onde voltou a confirmar a fama de melhorar o rendimento coletivo e individual das equipas que comanda. Um dos exemplos mais associados a este traço é o do avançado mexicano Raúl Jiménez, que representou o Benfica entre 2015 e 2017 e que, já sob as ordens de Marco Silva, conseguiu relançar a carreira depois de um grave traumatismo craniano sofrido em 2020.
No Fulham, o técnico português conduziu o clube à subida de divisão e, já na Premier League, manteve sempre a equipa afastada dos lugares de descida, com destaque para a época 2024/25, em que os cottagers alcançaram os 54 pontos, o melhor registo de sempre do emblema londrino na competição. Este historial de estabilidade e progressão constante ajuda a explicar por que motivo Marco Silva foi identificado, ainda antes de qualquer mudança oficial no banco do Benfica, como um dos nomes naturais para suceder a José Mourinho.
Na apresentação oficial como treinador das águias, Marco Silva recordou o Estoril como o verdadeiro início de tudo e sublinhou que a dimensão do Benfica obriga a olhar para objetivos como a Liga dos Campeões. Chega agora a Lisboa com um percurso construído passo a passo, clube após clube, sempre com o mesmo padrão de deixar cada equipa em melhor situação do que a encontrou, e com o desafio de repetir essa fórmula à frente de um dos maiores emblemas do futebol português.






