Vieira muda o foco da crise de comunicação no Benfica
O regresso do antigo presidente à discussão pública desviou as atenções da eliminatória europeia para a liderança do clube, analisa o consultor Ricardo Lemos

A derrota do Benfica na Suíça, na Liga Europa, não afetou apenas o percurso da equipa na prova. Também expôs fragilidades na estratégia de comunicação seguida pelo clube ao longo da pré-temporada, segundo a análise do consultor de comunicação Ricardo Lemos, no espaço de opinião “O Lado Direito do Mister”, publicado pela A BOLA.
No arranque da pré-temporada, o Benfica optou por uma postura de contenção, reduzindo a exposição pública e concentrando a mensagem mais relevante no que acontecesse dentro de campo. A ideia, segundo Lemos, assentava numa lógica simples: enquanto os resultados sustentassem o discurso, a liderança manter-se-ia protegida e o novo ciclo ganharia estabilidade.
Esse equilíbrio foi, no entanto, posto em causa com o desaire europeu. Nestes cenários, explica o consultor, a pressão nunca permanece apenas no relvado — sobe em cadeia, dos jogadores para o treinador, até chegar à estrutura liderada por Rui Costa. Foi precisamente nesse contexto de fragilidade que Luís Filipe Vieira decidiu voltar à discussão pública sobre o Benfica.
A jogada de comunicação de Vieira
Independentemente das motivações do antigo presidente, o efeito imediato foi conseguir aquilo que qualquer comunicador procura: alterar o centro da conversa. O tema deixou de se limitar à derrota europeia e passou a incluir questões de liderança, competência e capacidade da atual direção para preparar um novo ciclo no clube.
Para Ricardo Lemos, essa é a verdadeira dimensão das declarações de Vieira — mais do que uma simples reação ao resultado, representam uma disputa pelo controlo da narrativa em torno do Benfica, num momento em que a estrutura liderada por Rui Costa procurava evitar precisamente esse tipo de exposição.
Com este cenário instalado, a segunda mão da eliminatória europeia deixa de representar apenas uma oportunidade de qualificação. Passa também a funcionar como um teste à estratégia de comunicação do Benfica, numa altura em que o discurso interno já não é o único a moldar a perceção pública do clube.

