Montenegro pede calma sobre a dívida pública e antecipa “resultado surpreendente”
Primeiro-ministro garante que a subida para 92,9% do PIB não belisca as metas orçamentais e promete números animadores no final do ano

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, desvalorizou a subida da dívida pública portuguesa, deixando um apelo à tranquilidade: “Não nos assustemos”. Em declarações feitas esta terça-feira, o líder do executivo garantiu que os números mais recentes não colocam em causa as metas traçadas pelo Governo para o final de 2026, prevendo mesmo um desfecho “surpreendente” para a economia nacional.
As declarações surgem no dia seguinte à divulgação, pelo Banco de Portugal, de um aumento da dívida pública na ótica de Maastricht para 92,9% do Produto Interno Bruto no segundo trimestre do ano, mais 1,9 pontos percentuais face ao período anterior. Ainda assim, Montenegro sublinhou que esta variação “não têm rigorosamente importância nenhuma” na trajetória de redução do peso da dívida face ao PIB, apontando para um cenário mais favorável nos próximos meses.
O primeiro-ministro foi mais longe ao antecipar que, no final do ano, Portugal vai “surpreender muitos daqueles que cá estão ou nos veem de fora”, tanto no crescimento da economia como no saldo orçamental. A meta do executivo mantém-se inalterada: encerrar 2026 com uma redução da dívida pública para 87,5% do PIB, um objetivo que Montenegro reafirmou não estar em risco apesar da subida trimestral registada pelo Banco de Portugal.
Dívida pública divide opiniões entre Governo e oposição
As declarações do chefe do executivo foram proferidas na inauguração da primeira Unidade de Saúde Familiar com gestão privada do país, em Torres Vedras, cerimónia à margem da qual Montenegro optou por não prestar declarações adicionais aos jornalistas. Ainda no mesmo evento, o primeiro-ministro abordou o tema das migrações, defendendo que Portugal está a criar condições para acolher e integrar migrantes, numa comparação implícita com outros países europeus onde, segundo o próprio, existe “falta de regulação do fluxo migratório”.
A leitura do primeiro-ministro sobre a dívida pública não é, contudo, consensual. O líder do Chega, André Ventura, reagiu horas depois, considerando que os dados divulgados pelo Banco de Portugal evidenciam uma “péssima gestão” por parte do executivo, classificando a subida da dívida como um indicador que “não deve ser desvalorizado”. O presidente do partido rejeitou ainda que medidas aprovadas pela oposição, como a isenção de portagens, tenham contribuído para o agravamento dos números económicos, considerando esse impacto “residual” no PIB nacional.
Com o Governo a reafirmar confiança na trajetória das contas públicas e a oposição a criticar os números mais recentes, o debate sobre a evolução da dívida deverá manter-se em aberto nos próximos meses. A confirmação, ou não, do “resultado surpreendente” prometido por Montenegro só deverá ser possível avaliar no final do ano, quando forem conhecidos os dados definitivos sobre o crescimento económico e o saldo orçamental português.






