Português que fugiu com prémio de 20 milhões acaba condenado a dividi-lo com os colegas
Américo Lopes, imigrante na construção civil em Nova Jérsia, tentou ficar sozinho com o jackpot de quase 22 milhões de euros, mas a Justiça norte-americana obrigou-o a repartir o dinheiro pelo grupo

Um imigrante português a residir nos Estados Unidos tornou-se protagonista de uma das histórias mais rocambolescas envolvendo lotarias norte-americanas depois de tentar apropriar-se sozinho de um prémio partilhado. Américo Lopes, que trabalhava na construção civil em Nova Jérsia, ganhou em 2009 um jackpot de quase 22 milhões de euros no Mega Millions, a versão norte-americana do Euromilhões. O bilhete premiado tinha sido comprado em conjunto com um grupo de cinco colegas, todos também de origem portuguesa.
Segundo avançou o “New York Post”, Lopes justificou o afastamento do trabalho junto dos colegas alegando a necessidade de realizar uma cirurgia ao pé, aproveitando esse pretexto para desaparecer e ficar com a totalidade do prémio. Com o dinheiro, o então operário adquiriu uma casa avaliada em mais de um milhão de euros, comprou um Chevrolet, liquidou o empréstimo da sua habitação original e viajou até Portugal para visitar familiares, a quem também ofereceu presentes.
O esquema acabou, contudo, por não resistir ao escrutínio, e a farsa tornou-se pública pouco tempo depois. Os cinco elementos do grupo, Cândido Silva Jr., Carlos Fernandes, Daniel Esteves, Cândido Silva Sr. e José Sousa, descobriram que Lopes se tinha apropriado do prémio na totalidade, apesar de todos terem participado na compra do bilhete e de existir um compromisso prévio de partilha de eventuais ganhos entre os membros do grupo.
Aposta partilhada dá origem a processo judicial
Perante a descoberta, os colegas decidiram avançar para tribunal em 2010, exigindo a parte do prémio que lhes cabia por direito. Em sua defesa, Américo Lopes argumentou que o bilhete vencedor tinha sido comprado com dinheiro exclusivamente seu, pelo que o valor integral do jackpot lhe pertenceria apenas a ele, sem qualquer obrigação de partilha com os restantes membros da aposta.
O tribunal não deu, no entanto, razão ao imigrante português. A decisão judicial acabou por ser favorável aos colegas, ficando determinado que o prémio teria de ser dividido entre todos os elementos do grupo, cabendo a cada um a responsabilidade pelo pagamento dos respetivos impostos sobre o valor recebido. À saída do tribunal, visivelmente descontente com o desfecho, Américo Lopes não poupou nas palavras, atirando, segundo a estação norte-americana NBC: “Eles roubaram-me.”
Apesar da divisão do prémio ter reduzido significativamente a fortuna que Lopes esperava manter só para si, o antigo operário da construção civil conservou, ainda assim, o estatuto de milionário, graças à fatia do jackpot que lhe coube após a decisão dos tribunais. O caso permanece como um dos exemplos mais citados sobre os riscos associados às apostas partilhadas em grupo, sobretudo quando não existem acordos formais e documentados entre os participantes antes da compra dos bilhetes premiados.






