Belli-golo abate vikings que remaram na magia de Schjelderup (crónica)
Jogador do Benfica fez um golaço ao inaugurar o marcador, mas Bellingham tinha outras ideias e já igualou os seis golos de Kane no Mundial 2026. Noruega ainda teve golo anulado e atirou à trave

Belli-golo merece ter esta alcunha. Soma seis golos no Mundial 2026, tantos quanto Kane, e contra a Noruega bisou para levar Inglaterra às meias-finais na prova pela segunda vez este século (a última fora em 2018). Andreas Schjelderup espalhou magia, Aursnes entrou bem e os escandinavos ficaram próximos da vitória, mas com Erling Haaland tapado por todos os lados, a vitória escandinava só podia ser uma miragem.
Na 1.ª parte, o jogo estava quezilento, amarrado. A Noruega jogava na expectativa, frente a uma Inglaterra muito espanhola: com uma posse controlada, sem correr riscos desnecessários, circulando a bola à procura de espaços na defesa adversária, que se armava num 4x5x1 muito compacto no meio do terreno
Pedia-se que as estrelas interviessem. Kane, Haaland, Bellingham, Odegaard ou… Schjelderup. O homem do Benfica até se destacava pelas qualidades defensivas que José Mourinho outrora elogiou, mas só precisou de uma chance para marcar (36′) a diferença: recebendo a bola de Odegaard, pareceu tentar um
cruzamento para Haaland ao segundo poste, mas a bola entrou no cantinho superior da baliza – um golaço! Pickford gritou com os companheiros que permitiram dois remates de Sorloth (39′ e 44′), mas não era o dia do gigante avançado. Bellingham agradeceu. Recebeu (45+2′) o passe de Gordon, cavalgou pela área norueguesa, ultrapassou os centrais e atirou a contar.
Trave e VAR impediram a alegria norueguesa
O VAR entrou em ação na 2.ª parte para anular aquele que seria o 2-1 para a Noruega: num canto, o central Heggem encostou (57′) à boca da Baliza, mas o árbitro, ao rever as imagens, julgou que Haaland empurrou Anderson, uma decisão muito contestada pelos escandinavos.
A Noruega continuou a… remar em direção ao golo e quase lá chegou com a ajuda de Aursnes – entrou em campo na 2.ª parte e na ressaca de um canto, rematou (76′) contra o chão, a bola ressaltou e encontrou a cabeça de Ajer, que acertou na trave!
O jogador do Benfica ainda salvou a Noruega ao cortar (88′) um cruzamento venensoso de Saka junto à linha de golo. O que ajudou a levar o jogo a prolongamento, onde a Noruega entrou cansada e a Inglaterra aproveitou: Morgan Rogers rematou (93′) à vontade, Nyland defendeu para a frente e Bellingham disparou para o golo da vitória. À Noruega faltou frescura para ainda sonhar com o empate até ao final do jogo.
A Inglaterra mostra que não é preciso ser-se perfeito para chegar às meias-finais do Mundial. Ainda não rubricou uma exibição fulgurante, daquelas que não dão hipóteses ao adversário, mas faz-se valer das referências individuais no ataque. Com este jogo, Stones e Guéhi também se podem orgulhar de terem secado Haaland, que tinha marcado em todos os jogos do Mundial até então.
A Noruega só se tem de orgulhar da sua participação. Chegou até onde as forças lhes permitiram, mas até os vikings têm os seus limites, que foram atingidos nesta partida.
O melhor em campo: Jude Bellingham (8)
Ao ler esta crónica, é fácil perceber o porquê desta escolha. Thomas Tuchel tem tirado alguma liberdade de movimentos a Harry Kane para que Bellingham se mover com a liberdade que deseja. E quando o resultado são dois golos marcados, muitos passes verticais ofensivos e uma energia inesgotável, percebe-se na perfeição as escolhas do selecionador
.A figura da Noruega: Andreas Schjelderup (7)
Poderá recordar-se, caro leitor, que José Mourinho elogiou muito a evolução de Schjelderup ao longo da última época no aspeto defensivo. Essas melhorias ajudaram muito a Noruega neste encontro, com o jovem jogador a ter um sentido posicional muito apurado. No ataque, o golo que fez (quer tenha sido intencional ou não) ficará na memória de muitos.
Na meia-final, a Inglaterra vai encontrar Suíça ou Argentina, jogo que começa esta noite às 02h00.






