Trabalhadores do município de Lisboa registam “estagnação” na governação
O Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) registou "uma estagnação" na governação da cidade, passado meio ano da reeleição de Carlos Moedas (PSD) como presidente da Câmara, denunciando problemas em várias áreas, em particular na higiene urbana.

Em declaraçõe à agência Lusa, o presidente do STML, Nuno Almeida, destacou a “falta de resolução a muitos dos problemas que já existiam no mandato anterior, nomeadamente a falta de pessoal em serviços essenciais, como a higiene urbana, os bombeiros, os jardins, os cemitérios, mas também em muitos outros serviços”.
Nuno Almeida disse que esse balanço dos primeiros seis meses após as eleições autárquicas de 12 de outubro, em que Carlos Moedas foi reeleito para um segundo mandato, através da coligação PSD/CDS-PP/IL, “poderá ou não ser fruto da chegada de novos vereadores”.
Em relação ao anterior mandato 2021-2025, sob gestão de PSD/CDS-PP, o presidente da Câmara apenas manteve na equipa Diogo Moura (CDS-PP), e integrou a IL.
“Nestes seis meses não se viu uma evolução positiva, no sentido de vermos que há uma melhoria da qualidade e da prestação do serviço público que a Câmara tem de prestar à cidade, aos lisboetas, mas também a quem visita a cidade”, afirmou, apontando a necessidade de investimento em meios humanos e materiais, que “ainda são muito insuficientes”, como para a recolha do lixo.
Atendendo à alteração na equipa de governação, em particular de quem tem pelouros, Nuno Almeida reforçou que os trabalhadores do município admitem um período de transição, mas alertou que “o estado de graça está a terminar”.
O dirigente do STML frisou que “ainda há muito por fazer” e que se aguarda resposta a reivindicações que não foram atendidas no anterior mandato, bem como a “um conjunto” de novas preocupações que surgiram nos locais de trabalho.
“Tem de haver um investimento no serviço público. Não podemos desistir do serviço público. A cidade de Lisboa não perdoaria a Carlos Moedas que esse investimento não fosse feito e os trabalhadores por ele anseiam, porque querem prestar o melhor serviço, mas têm de ter as condições mínimas e dignidade para fazer o seu trabalho”, reivindicou.
O problema do lixo “será o mais visível” na cidade, “mas todos os outros serviços continuam muito carentes de meios”, insistiu o representante dos trabalhadores do município de Lisboa, que totalizam cerca de 15 mil trabalhadores, dos quais mais de nove mil são da Câmara.
Questionado sobre a promessa de reforma na higiene urbana, com o fim da delegação de competências nas juntas de freguesia e com a recolha do lixo comum durante seis dias por semana, o presidente do STML referiu que a execução desse plano “sofreu uma adaptação no discurso” e a previsão agora “é que só lá para 2027” haja alterações.
“O que sabemos, e isso é uma realidade que os trabalhadores sentem no dia-a-dia, é que continuam a ter dificuldades naquilo que ainda é competência da Câmara, que é a recolha dos resíduos urbanos numa base diária”, declarou Nuno Almeida, realçando a falta de viaturas de remoção de lixo.
Desde a greve realizada no final de 2024, o número de viaturas manteve-se “praticamente inalterado” e continua a verificar-se que “nem todos os serviços programados numa noite de recolha são feitos, porque não há viaturas suficientes”, lamentou, denunciando também problemas nas instalações de trabalho e no reforço de pessoal, em que o último balanço apontava a falta de 500 trabalhadores, entre cantoneiros e condutores de veículos e máquinas especiais.
Para o STML, a “estagnação” sente-se também nas áreas da habitação, da mobilidade e da educação.
Sobre a nova composição da governação municipal, com a IL e, posteriormente, a integração de uma vereadora eleita pelo Chega – após se desfiliar do partido e se tornar independente, permitindo a Moedas governar com maioria absoluta -, Nuno Almeida disse que “não se nota ainda nos serviços a mão ou as políticas que esses partidos poderão defender, até num plano mais ideológico e nacional”.
Quanto à mudança na direção de equipamentos culturais, nomeadamente no Teatro do Bairro Alto e no Museu do Aljube, que ocorreu após uma deputada municipal do Chega ter defendido “uma cultura de direita”, o sindicalista afirmou que “há uma grande apreensão” dos trabalhadores da EGEAC em relação ao futuro cultural na cidade.
O atual executivo municipal de Lisboa é liderado por Carlos Moedas, que foi reeleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, sem maioria absoluta, mas conquistou-a depois com a integração na governação de uma vereadora que se desfiliou do Chega.
Além de oito eleitos de PSD/CDS-PP/IL (incluindo o presidente) e de uma independente ex-Chega, entre os 17 membros que compõem o executivo municipal há quatro vereadores do PS, um do Livre, um do BE, um do PCP e um do Chega.






