Cucurella emociona-se ao revelar o autismo do filho Mateo
O lateral espanhol admite que ainda hoje sente dificuldade em lidar com alguns momentos do dia a dia do filho mais velho

Marc Cucurella voltou a falar publicamente sobre a Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) diagnosticada ao filho mais velho, Mateo, numa entrevista à rádio pública espanhola RTVE, mais tarde citada pela BBC News Mundo. O internacional espanhol, atualmente ao serviço do Real Madrid e prestes a disputar a final do Mundial de 2026, admitiu que continua a haver situações em que não sabe como reagir perante as dificuldades do filho.
Segundo relatou, os primeiros sinais surgiram quando Mateo, hoje com três irmãos, começou a frequentar a escola. O casal reparou que a criança aparecia sempre sozinha nas fotografias tiradas durante os intervalos e que o desenvolvimento da fala não acompanhava o esperado. Cucurella recordou esse período como um dos mais difíceis da sua vida familiar, confessando que ver um filho a sofrer é uma das provações mais duras que um pai pode enfrentar.
O testemunho do defesa espanhol surge num momento de grande exposição mediática, coincidindo com a preparação da seleção para a final do Mundial. Ainda assim, o jogador tem optado por não esconder a realidade que vive em casa, sublinhando que nenhum diagnóstico vem acompanhado de um manual de instruções e que a aprendizagem enquanto pai tem sido constante desde então.
Paternidade atípica: o dia a dia com Mateo
Nas declarações reproduzidas pela imprensa, Cucurella explicou pormenores da rotina familiar, como a preferência de Mateo por ambientes frescos e climatizados, o que torna as viagens a locais de calor intenso particularmente desafiantes para a criança. O jogador contou ainda que, ao contrário dos irmãos, Mateo normalmente não assiste aos jogos nas bancadas, precisamente para evitar situações de desconforto, embora esteja previsto que esteja presente na final do Mundial, tal como já tinha acontecido na final da Eurocopa de 2024.
O atleta reconheceu que a família ainda enfrenta incerteza sobre o melhor caminho a seguir e lamentou a falta de apoio e orientação recebida nos primeiros tempos por parte da estrutura escolar. Apesar das dificuldades, Cucurella destacou que a experiência com Mateo trouxe à família uma aprendizagem sobre empatia, paciência e sensibilidade que dificilmente teriam adquirido de outra forma.
Consciente da visibilidade que o seu estatuto de futebolista de elite lhe proporciona, Cucurella manifestou o desejo de que o seu testemunho contribua para uma maior sensibilização social em torno do autismo, defendendo a criação de mais centros especializados e respostas de apoio às famílias. Para o jogador, dar voz a esta realidade pode ajudar outros pais que atravessam um percurso semelhante ao seu.






