Dívida pública dá trambolhão. Portugal paga hoje mais de 9 mil milhões aos credores
IGCP devolve aos mercados o valor em falta de uma linha de Obrigações do Tesouro lançada em 2016, que atinge a maturidade esta terça-feira

Portugal dá esta terça-feira, 21 de julho, um forte golpe na sua dívida pública, com a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) a devolver aos credores um cheque superior a 9 mil milhões de euros. O montante corresponde ao saldo em dívida de uma linha de Obrigações do Tesouro com cupão de 2,875%, lançada em 2016, que atinge hoje a data de maturidade fixada há uma década.
Segundo dados divulgados pelo IGCP, esta linha obrigacionista chegou a ter um saldo vivo superior a 10 mil milhões de euros, mas foi sendo reduzida ao longo dos últimos meses através de operações de recompra antecipada realizadas pela agência liderada por Pedro Cabeços. Só na recompra realizada em dezembro do ano passado, o IGCP abateu 365 milhões de euros a esta linha, numa estratégia que visa suavizar o perfil de reembolsos da dívida pública ao longo do tempo e reduzir o risco de concentração de vencimentos.
Este reembolso surge num momento em que a dívida pública portuguesa se aproxima dos 280 mil milhões de euros, mas com uma trajetória descendente em percentagem do Produto Interno Bruto, segundo as últimas estimativas do Governo. A operação de hoje deverá provocar uma queda visível no valor global da dívida direta do Estado nas próximas estatísticas mensais divulgadas pelo Banco de Portugal, à semelhança do que já sucedeu noutras ocasiões em que Portugal liquidou linhas de obrigações de grande dimensão.
Estratégia do IGCP para gerir a dívida pública
Para fazer face a este pagamento de vulto, o IGCP tem vindo a reforçar a sua almofada financeira ao longo do ano, através da emissão regular de Obrigações do Tesouro nos mercados internacionais. De acordo com o plano de financiamento para 2026, a agência prevê angariar cerca de 24 mil milhões de euros em OT, um valor que visa cobrir as necessidades de financiamento líquidas do Estado, estimadas em aproximadamente 13 mil milhões de euros para este ano.
A gestão da dívida pública tem sido pautada por sucessivas operações de recompra e troca de títulos, com o objetivo de antecipar reembolsos e aliviar a pressão sobre os vencimentos concentrados em determinados períodos. Este tipo de operações permite ao Tesouro português negociar condições mais favoráveis no mercado, aproveitando janelas de procura elevada por parte dos investidores institucionais, ao mesmo tempo que reduz o custo global de financiamento do Estado a médio prazo.
Com este reembolso concluído, a atenção do mercado deverá voltar-se agora para os próximos vencimentos de dívida agendados para os anos seguintes, num calendário que, segundo projeções do IGCP, concentra os maiores volumes de reembolsos entre 2026 e 2038. O Governo mantém, entretanto, o objetivo de continuar a reduzir o peso da dívida pública em percentagem do PIB nos próximos exercícios orçamentais, apostando na consolidação das contas públicas para sustentar essa trajetória.






